A474
Alves, Silvio Dutra
Mente Natural e Mente Espiritual
/ Silvio Dutra Alves.
Rio de Janeiro, 2025.
117 pg; 14,8x21cm
1. Teologia. 2. Vida Cristã. 3. Sã Doutrina.
I. Título.
CDD 230.227
Mente Natural e Mente Espiritual
Mente no original grego do Novo Testamento é νους, pronúncia nous.
Definição da palavra no léxico de Strong:
1) mente, incluindo igualmente as faculdades de perceber e entender bem como a habilidade de sentir, julgar, determinar
1a) faculdades mentais, entendimento
1b) razão no sentido mais estreito, como a capacidade para verdade espiritual, os poderes superiores da alma, a faculdade de perceber as coisas divinas, de reconhecer a bondade e de odiar o mal
1c) o poder de ponderar e julgar sobriamente, calmamente e imparcialmente
2) um modo particular de pensar e julgar, isto é, pensamentos, sentimentos, propósitos, desejos.
A mente natural humana não consiste na simples função cerebral, e independentemente das definições apresentadas no léxico de Strong conforme as destacamos no início de nosso texto, ela é o grande elemento definidor de nossa personalidade e é quem influencia preponderantemente as nossas atitudes e inclinações, sobretudo em nossos padrões de pensamentos, sentimentos, emoções, julgamentos etc.
É imperioso para todo aquele que almeja ser salvo e participar do reino do céu, que ele seja mudado, mas esta mudança não se refere a uma transformação para a melhoria de seu homem natural, mas a uma introdução de uma nova inclinação, de uma nova disposição, de um novo princípio eminentemente espiritual, por uma operação sobrenatural do Espírito Santo, que é chamada de novo nascimento ou regeneração, e que prossegue em crescimento através da santificação operada pelo mesmo Espírito na nova criatura por ele gerada na conversão.
3 A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
4 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?
5 Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
7 Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.
8 O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. João 3.3-8.
Quando Jesus disse a Nicodemos que ele sendo mestre em Israel, pois era fariseu, não entendia o que havia sido revelado nas Escrituras pelos profetas, quanto mais não entenderia se lhe falasse das coisas que existem no céu. Dentre as muitas passagens que falam do novo nascimento do Espírito temos a de Ezequiel 11.19,20, em que há uma referência direta ao espírito novo que seria dado por Deus àqueles que fossem salvos por ele para a vida eterna.
“19 Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne;
20 para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.”
Este “espírito novo” não se refere a um outro espírito que seria dado aos eleitos, mas uma operação de ressurreição do espírito que se acha naturalmente morto em delitos e pecados, pela habitação do Espírito Santo, com sua operação regeneradora e renovadora.
Nós estaremos desenvolvendo mais detalhadamente este assunto do espírito novo e do novo coração, mas logo de início gostaríamos de destacar que a mente espiritual é gerada pelo Espírito Santo, neste novo espírito, ou seja, na nova criatura, no nosso espírito que recebeu esta nova vida, inclinação, e disposição para Deus, através da habitação e operação do Espírito Santo.
O coração de carne, no lugar do de pedra, citado na profecia, também não é uma referência a um outro coração, e nem mesmo ao órgão físico do coração, mas a uma nova inclinação e disposição de sentimentos, emoções e afetos gerados no homem interior, ou seja, no espírito renovado e levantado pelo poder de Deus de sua condição anterior de morto em delitos e pecados.
O novo nascimento do Espírito não consiste em uma melhoria da vida moralizada ou civilizada, pelo processo de educação secular, pois isto pode ser obtido até mesmo por pessoas não justificadas pela fé e não regeneradas e santificadas pelo Espírito. O que está em foco é o recebimento e aperfeiçoamento de um novo coração e de uma nova mente, ou seja, de compreensão, sentimentos, afetos, emoções e comportamento inteiramente novos, procedentes do alto, e também de uma nova mentalidade espiritual, celestial e divina, que faz com que priorizemos ajuntar tesouros no céu e não na Terra; e dirigir nossa vida sobretudo nas coisas referentes a Deus fixando nossos pensamentos, principalmente, no céu e não na Terra.
1 Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.
2 Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;
3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.
4 Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.
5 Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria;
6 por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência].
7 Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas.
8 Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.
9 Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos
10 e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;
11 no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.
12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.
13 Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;
14 acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.
15 Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.
16 Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.
17 E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Colossenses 3.1-17).
Observe que todas as coisas práticas que são citadas pelo apóstolo como sendo obrigatórias para serem achadas no comportamento de todos os crentes, só podem ser realizadas por uma mudança de mentalidade, pelo recebimento e desenvolvimento progressivo em renovação da nova mente espiritual recebida na conversão, e isto para o despojamento da natureza terrena, para que a nova natureza recebida do alto entre em operação, levando-nos a priorizar as coisas celestiais, espirituais e divinas, e não as que são terrenas e naturais, pois são somente estas últimas com as quais se ocupam os gentios, ou seja, aqueles que não conhecem a Deus em espírito.
18 E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,
19 falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,
20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. Efésios 5.18-21.
Um fator muito importante é este de que ainda que na nossa conversão a Cristo, haja uma substancial transformação inicial de nossa mente pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tt 3.5), de maneira que ainda que nosso corpo, nossa alma e espírito não sejam mudados, permanecendo os mesmos, todavia pode e deve haver uma transformação de nosso padrão de julgamento, pensamento, etc, e da nossa própria personalidade, do padrão carnal e mundano que tínhamos antes da conversão, para o santo que é segundo a Palavra de Deus, padrão este que deve aumentar com o progresso do processo da santificação do Espírito Santo, em melhoria e aumento em graus da renovação da nossa mente espiritual recebida na conversão (Rom 12.1,2). A propósito, a palavra para renovação tanto nesta passagem de Romanos 12, quanto na de Tito 3.5 (anakainosis), é a mesma no original grego, e aparece somente em ambas citações, de modo que inferimos que a transformação da mente a que o apóstolo alude em Romanos, é o resultado da operação do Espírito Santo em nós, para termos uma mentalidade celestial, espiritual e divina; não se tratando portanto de uma mudança simplesmente natural e segundo os padrões do mundo, que é também possível de ser realizada, sem que esta possua, qualquer interesse no propósito eterno divino em relação aos crentes. E nesta mera mudança natural se encaixam todas as modificações comportamentais que ocorrem no mundo, sejam para melhor ou para pior, mesmo naqueles que se esforçam para se tornarem pessoas mais moralizadas e civilizadas, que ainda que isto represente para si mesmas ou para a sociedade, um ganho, todavia, em nada altera a condição e posição da pessoa diante de Deus, que afirma que sem santificação ninguém verá o Senhor. O cerne desta transformação deve ser portanto, segundo a vontade de Deus, de ímpio e carnal para santo e espiritual, conforme se revela expressa e claramente nas Escrituras.
10 O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.
11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome;
13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. João 1.10-13.
O nascimento natural está na esfera da vontade natural dos pais, mas o espiritual está na esfera exclusiva da vontade de Deus, através da eleição, justificação, regeneração e santificação dos que são por ele chamados eficazmente para se tornarem filhos de Deus.
Nosso Senhor Jesus Cristo introduziu a pregação do evangelho com a necessidade de se arrepender e crer para se entrar e permanecer no reino do céu que Ele veio trazer em sua vinda a este mundo. A palavra para arrependimento, no original grego é metanoia = transformação, mudança de mente. Ou seja, a mudança de um viver simplesmente pela mente natural, para um viver principalmente segundo a mente renovada espiritual que é recebida na conversão e que deve continuar sendo renovada de dia em dia, ao que Paulo chama de renovação do homem interior em II Cor 4.16. Isto é ao que Paulo nos exorta em Rom 12.2, a saber, a nossa transformação pela renovação da nossa mente, através da nossa consagração como sacrifício vivo a Deus. A palavra para transformação no original grego é metamorféu, a mesma palavra transliterada para metamorfose, que indica uma mudança radical de natureza, ou seja, de se passar, como no caso da borboleta, de um estágio rastejante e terreno de uma lagarta, para o glorioso de um ser que ascende ao céu. Então, o caráter da transformação a que somos exortados a alcançar é o de uma mudança radical, de um estado simplesmente natural e terreno, para um outro inteiramente diferente que é celestial e divino. Esta transformação é reforçada, como já vimos antes, pela palavra renovação, que indica o trabalho do Espírito Santo de gerar em nós uma nova natureza divina, em nosso novo nascimento, e que não é somente nova no sentido de ser diferente, mas de ser algo que nos torna novas criaturas diante de Deus, com a capacidade de chegar a conhecer e fazer a Sua vontade, inclusive em sermos pacientes em suportar os nossos sofrimentos neste mundo, pela obtenção da mesma mente de mansidão e humilhação que havia em Jesus em seu ministério terreno, para conquistar a salvação para nós. Hoje, Jesus está exaltado à destra do Pai, e não mais em estado de humilhação, ao qual a propósito jamais retornará, pois não há mais tal necessidade de sofrer em nosso lugar. Mas, nós, enquanto neste mundo, devemos ter a mesma mente, ou seja, nos armarmos com a mente que havia em Jesus, de tudo suportar e vencer com paciência cristã, segundo a capacitação que recebemos do Espírito Santo.
5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;
7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,
8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
9 Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,
10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra,
11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Fp 2.5-11.
Há muita confusão e dificuldade, não apenas na apreciação correta deste assunto, quanto na forma de sua aplicação no viver diário prático dos crentes. Não são poucos os que fazem uma separação drástica entre o que consideram natural e espiritual, repelindo totalmente o primeiro para a aceitação exclusiva do segundo. E isto explica muito a origem do fanatismo que os domina inteiramente, considerando que tudo o que é material e natural é reprovado por Deus e uma abominação para ele; sem sequer refletirem que a mente natural é necessária principalmente para a realização de tudo o que é natural e lícito no mundo, principalmente para o homem natural, que tendo sido formado do pó da terra, tem uma relação estreita com ela através do seu corpo físico. Há a necessidade de alimento, de vestimentas, abrigo etc. Há deveres que são impostos por autoridades seculares, como pagamento de taxas, impostos etc; de obediência civil; de provimento e proteção de filhos, dentre tantos outros que não haveria aqui espaço suficiente para enumerá-los. A própria vida espiritual com seus deveres devidos a Deus, perpassa tais deveres seculares, de maneira que aquele que não é fiel no cumprimento destes, não pode ter a aprovação de Deus, quanto ao modo que deve viver neste mundo, com um bom testemunho de estar em verdadeira submissão às autoridades constituídas, pois toda autoridade verdadeira é instituída pelo próprio Deus. E não são raros os exemplos em que o Senhor se valeu de autoridades seculares para fazer avançar os interesses do Seu reino celestial no mundo, como no caso do rei Ciro na libertação dos judeus de Babilônia; dos príncipes da Alemanha para fazer valer o progresso da Reforma Protestante iniciada por Lutero etc. Na verdade, a principal função dos governantes e juízes do mundo é a de proteger os interesses do evangelho de Cristo, e não a de serem indiferentes a ele e seus professantes, e muito menos o de persegui-los, pois todos deverão prestar contas a Deus no dia do Juízo.
8 Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente. I Timóteo 5.8.
No outro extremo há aqueles que mesmo sendo crentes insistem em manter a opinião em suas mentes naturais, que não se deve espiritualizar e teologizar todas as coisas, mesmo aquelas que são reveladas e ordenadas como princípios absolutos espirituais nas Escrituras, e tudo isto para justificarem um viver carnal e mundano. Estes se esquecem que o reino de Deus deve ter prioridade absoluta sobre tudo o mais, pois importa antes obedecer a Deus do que aos homens.
Para os que abrigam tal pensamento, lugar de se falar de Deus é somente no templo, na Igreja, e nem mesmo nos seus lares. Assim, tanto o evangelho quanto o próprio Deus deveriam ficar confinados às áreas reservadas para o culto público. Tal posicionamento contraria totalmente a ordem de Jesus de que se pregue o evangelho abertamente e até de cima dos telhados.
O ensino de Jesus e dos apóstolos para os crentes é o de que devem ter a sua mente renovada pelo Espírito Santo, segundo a Palavra revelada nas Escrituras, e especialmente no Novo Testamento que é o fundamento da Nova Aliança feita no sangue de Jesus.
13 Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.
14 Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.
15 Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, Rom 2.13-15
O homem foi criado por Deus com a norma da lei natural gravada em seu coração, de modo a poder discernir o que é aprovado e o que não é aprovado por Deus em seus pensamentos e comportamento. Além disso, sua mente em que residem seus pensamentos e consciência agem como um tribunal que Deus instalou no próprio homem para poder discernir entre o que é bom e o que é mau, e o que é correto e o que é incorreto. Mas a vontade que foi corrompida pelo pecado e que é carnal e não sujeita à vontade e lei de Deus, pode prevalecer sobre aquilo que a mente escolheu como bom e adequado, e levar a pessoa a praticar exatamente o oposto daquilo que pretendia fazer.
Todavia esta lei natural gravada por Deus na mente natural de toda pessoa, pode ser pervertida por uma consciência cauterizada, e é aqui que entra a nossa total dependência da operação da libertação do princípio do pecado que habita em nós, pelo poder de Jesus Cristo, pois se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres desta escravidão ao pecado que é superior à nossa própria vontade. Somente desejar praticar o bem não é suficiente, pois precisamos do poder do Espírito Santo, por um andar nele, para que por ele, possamos mortificar o pecado e agir segundo a nova criatura em Cristo que fomos feitos em nossa conversão inicial.
Aqui, ao falarmos de nova criatura em Jesus, devemos abrir um parêntesis para que possamos ter um entendimento correto do que está revelado nas Escrituras a tal respeito.
23 mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Rom 7.23.
2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rom 12.2.
16 Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. II Cor 4.16.
16 Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo.
17 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. II Cor 5.16,17.
11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.
12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.
13 Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.
14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
15 Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.
16 Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo. I Cor 2.11-16.
Analisando em conjunto estas cinco passagens do apóstolo Paulo, citadas anteriormente, podemos observar que o que ele tinha em vista era nos ensinar que toda pessoa é um ser natural que possui um corpo, uma alma e um espírito, e que nesta simples condição e não sendo coparticipante da natureza divina, que é espiritual e não natural, não pode ter qualquer comunhão com Deus, e acrescente-se a isto, que sem ser reconciliado com Ele através da fé em Jesus, encontra-se com seu espírito morto, ou seja, separado de Deus, sendo incapaz de ter qualquer comunicação com Ele. Jesus disse a Nicodemos que tanto ele quanto qualquer pessoa não pode ver o reino de Deus caso não nasça de novo do Espírito Santo, ou seja, é preciso que o seu espírito seja capacitado, habilitado, a se comunicar com Deus, pelo recebimento de uma nova mente espiritual, além da natural que já possuía antes da conversão, porque é somente nesta nova mente espiritual, que gera uma disposição, inclinação para as coisas que são do alto e não para as que são da Terra, capacitando o crente a compreender as coisas que são celestiais e divinas, e é a esta mente que o apóstolo chama de mente de Cristo, ou mente renovada, ou lei da sua mente – Deus prometeu escrever sua lei na mente daquele que se convertesse a Cristo, não propriamente toda a lei de Moisés com seus preceitos civis e cerimoniais, mas a lei relativa a toda a Sua boa, perfeita e agradável vontade, conforme revelada em e por Jesus no Evangelho, ou dispensação da graça, ou ainda Nova Aliança, pois esta promessa encontrada em Ezequiel 36 e Jeremias 31, aponta para o seu cumprimento em uma Nova Aliança.
As operações de regeneração, santificação e renovação dos crentes pelo Espírito Santo, não consistem em qualquer trabalho para melhorar o velho homem; a velha natureza, ou mente carnal; porque tudo é realizado na nova criatura ou mente espiritual. Nenhum remendo será utilizado no que já se encontra corrompido pelo pecado, pois é conduzido à crucificação, ao despojamento, à negação do ego, para o revestimento da nova criatura com a vida de Jesus. Por isso ao se referir à nova criatura o apóstolo afirma que o que era velho ficou para trás e que tudo se fez novo.
Então, podemos entender que há no crente duas naturezas ou mentes:
Primeiro: uma natural que o habilita a se relacionar com os assuntos naturais deste mundo, como por exemplo o aprendizado de artes, ciências etc, que a propósito não acrescenta um milímetro sequer para a sua aprovação e aceitação de Deus, quanto à satisfação de Sua justiça e Seu propósito eterno relativo aos seus eleitos.
Segundo: uma mente espiritual, recebida do alto, que não é deste mundo, e que habilita e capacita o crente a entender, a discernir, as coisas espirituais e celestiais que lhe são reveladas pelo Espírito Santo.
É a isto que se refere o apóstolo Tiago:
13 Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras.
14 Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade.
15 Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca.
16 Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins.
17 A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.
18 Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. (Tg 3.13-18)
1 De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?
2 Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis;
3 pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.
4 Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
5 Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós? (Tg 4.1-5)
A isto já havia se referido o profeta Jeremias:
23 Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas;
24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. Jer 9.23,24.
O que é sábio segundo o mundo o é segundo uma mente natural e carnal, mas o que é sábio nas coisas referentes a Deus, o é segundo a mente espiritual, instruída, dirigida e capacitada pelo Espírito Santo; de modo que a sabedoria natural nada tem do que se gloriar diante de Deus, mas sim aquela que é espiritual que nunca se gloria em si mesma, mas nAquele de quem ela procede.
Mas, na vida real prática, mesmo os que nasceram de novo do Espírito, e adquiriram uma nova natureza espiritual, necessitam desenvolver sua mente espiritual, ou seja, que ela seja renovada pelo Espírito Santo diariamente, de forma a que não se permaneça pensando e agindo de modo carnal, mas espiritual, e isto só é alcançado pela formação de hábitos santos no lugar dos hábitos pecaminosos, passando o crente a ser alguém de fato paciente, longânimo, misericordioso, amoroso, bondoso, perdoador etc. Isto sim é a real expressão de uma mente espiritual amadurecida. Por isso os apóstolos oravam para que o amor dos crentes aumentasse mais e mais, para serem tomados de toda a plenitude de Deus, pois que aproveita falar em línguas; ter todos os dons sobrenaturais do Espírito; ser um religioso dedicado em todos os deveres externos etc, se a pessoa não for paciente, longânima, misericordiosa, que suporte injustiças e ofensas com paciência, etc.?
A chamada eficaz para a conversão é para a coparticipação do crente da santidade divina (Hebreus 12.10; II Pedro 1.4) e não da Sua onisciência, onipresença e onipotência e todos os seus demais atributos não comunicáveis, sendo exclusivos da divindade. Quando Eva foi tentada por Satanás a comer do fruto proibido e que dando-o a seu marido, ambos se tornariam exatamente como Deus, esta tenha sido talvez a maior mentira e o maior engano produzido pelo diabo, pois se Eva e Adão olhassem apenas para si mesmos e ao redor, e para o céu, contemplando tudo o que Deus havia criado a partir do nada, talvez tivessem refletido sobre a impossibilidade de serem exatamente como Deus com todo o Seu conhecimento, sabedoria e poder, e mesmo com sua mente natural, poderiam ter continuado crendo na Palavra de Deus de que no dia que comessem do fruto morreriam, em vez de terem dado crédito ao engano e à mentira de Satanás.
A compreensão desta realidade, conforme revelada nas Escrituras, é fundamental para que possamos ter um viver equilibrado e sensato quanto ao modo que devemos ter separadas diante de nós como deve ser o nosso comportamento tanto em relação às coisas que são naturais, e às que são espirituais.
Por exemplo: Não devemos usar em nossa pregação do evangelho, em nossas orações, louvores, adoração, comunhão dos santos nas reuniões de culto, uma abordagem realizada meramente com a mente natural, mas sobretudo com a espiritual, conforme dizer dos apóstolos:
10 Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.
11 Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! I Pedro 4.11.
26 Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação. II Cor 14.26.
Daí decorre em sentido oposto, a ordenança de Jesus de que não se deve lançar pérolas a porcos e coisas santas a cães, ou seja, não fazer uso das coisas que são espirituais e que operam na mente espiritual, àqueles que resistem a elas e as desprezam com sua mente natural e carnal.
No trabalho com o que é natural, devemos usar nossa mente natural, de preferência, com o auxílio da espiritual, pedindo a Deus sabedoria e capacitação para a realização do trabalho que devemos realizar no mundo secular.
Podemos e devemos recorrer a médicos, para receber orientação e tratamento de enfermidades físicas e naturais. Mas tendo antes entregado o nosso problema nas mãos de Deus, para receber dele instrução, proteção e cura.
Agora, esta mente espiritual que foi recebida na conversão inicial, deve ser renovada continuamente pelo Espírito Santo, e nisto dependemos de nos consagrarmos ao Senhor, em sincero desejo de conhecer e fazer a Sua vontade. E isto tem mais a ver com nossos afetos e formação de hábitos relacionados ao nosso crescimento na graça e no conhecimento de Jesus (II Pe 3.18). É pela falta disto que é de pouco ou nenhum proveito diante de Deus, a audição de sermões, leitura da Bíblia, louvores, em que a mente espiritual não esteja em exercício, mas somente a mente natural (esta que a propósito não tem qualquer interesse nas coisas celestiais e divinas, em sua natureza espiritual). É daí que decorre o apóstolo ter dito que a letra mata, e que o espírito vivifica, e nosso Senhor Jesus Cristo que disse que a carne para nada aproveita, e que é o espírito que vivifica, ou seja, o que é simplesmente natural não pode produzir a vida eterna sobrenatural que há em Jesus. A carne é fraca para tal propósito, ou seja, não possui o poder necessário para tal, e nem mesmo está habilitada e capacitada para o mesmo.
2 Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens,
3 estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.
4 E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus;
5 não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,
6 o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.
7 E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente,
8 como não será de maior glória o ministério do Espírito!
9 Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça.
10 Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelente glória.
11 Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente. II Cor 3.2-11.
Como o reino de Deus não é visível, mas invisível; sobrenatural e não natural; não deste mundo, mas do céu; tudo o que se refere a este reino, como não é da letra, mas do Espírito, é operado através da mente espiritual do crente, tanto que quando se exige dele que ore em todo o tempo no Espírito, ao mesmo tempo se requer vigilância constante – ora, esta vigilância é contra os poderes das trevas e operações do diabo que são também invisíveis e que podem ser discernidas somente em espírito – de modo que não é por simples exame da letra da Palavra, mas por sua prática em nossas vidas, e isto, em espírito. Daí que nos é ordenado antes de tudo estarmos revestidos do Senhor Jesus e da força do seu poder.
10 Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.
11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo;
12 porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.
13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
14 Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça.
15 Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz;
16 embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
17 Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;
18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos
19 e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, (Ef 6.10-19).
É preciso orar no Espírito para vencer as tentações da carne e do diabo. Por isso Jesus ordenou aos seus discípulos no Getsêmani que o fizessem, pois somente o esforço da mente natural para não dormirem e poderem estar prontos para resistir a tudo o que sucederia logo a seguir com a traição de Judas, não seria forte o bastante e suficiente para mantê-los em boa ordem para o combate espiritual que se travaria.
41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Mateus 26.41.
Vigilância e oração são sempre apresentados juntos, e mais uma vez destacamos, que a oração deve ser em Espírito, ou seja com a mente espiritual.
36 Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem. Lucas 21.36.
26 Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.
27 E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. Romanos 8.26,27.
A própria pregação da Palavra não deve se resumir à simples apresentação da letra de maneira natural, mas de forma espiritual, no poder do Espírito Santo, e para tanto, é necessário que a mente espiritual do pregador e dos seus ouvintes esteja em ação.
4 reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição,
5 porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós. I Tes 1.4,5.
4 A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,
5 para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. I Cor 2.4,5.
Com isto não se quer dizer que a Palavra de Deus lida e exposta, mesmo com a mente natural, não seja importante, mas que é preciso, para que seja espírito e vida, conforme Jesus afirmou que sua palavra era isto, é necessário que seja apresentada no poder do Espírito Santo, operando em e através de nossa mente espiritual.
17 Tenho, pois, motivo de gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus.
18 Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras,
19 por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo, Romanos 15.17-19.
Bem ilustra a total dependência que os discípulos de Jesus têm do Espírito Santo operando na mente espiritual deles, estas palavras que lhes dirigiu:
19 E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer,
20 visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. Mateus 10. 19,20.
Mas, a própria Palavra de Deus revelada nas Escrituras é o maior e melhor exemplo da mente espiritual em operação, pois foi por homens inspirados pelo Espírito Santo que ela foi produzida:
16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, (II Timóteo 3.16).
20 sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação;
21 porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo. (II Pedro 1.20,21)
Quem poderia escrever usando sua mente natural as coisas que os profetas e os salmistas escreveram? As Escrituras são espírito e são vida, e portanto, sua produção requeria mentes espirituais que estivessem em comunicação direta com Deus. Os profetas e salmistas foram movidos em experiências reais do poder de Deus em suas vidas, em meio a batalhas espirituais contra a carne, o diabo e o mundo.
Veja, por exemplo como esta mente espiritual é observada no Salmo 62 de Davi, que transcrevemos a seguir:
1 Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação.
2 Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei muito abalado.
3 Até quando acometereis vós a um homem, todos vós, para o derribardes, como se fosse uma parede pendida ou um muro prestes a cair?
4 Só pensam em derribá-lo da sua dignidade; na mentira se comprazem; de boca bendizem, porém no interior maldizem.
5 Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.
6 Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei jamais abalado.
7 De Deus dependem a minha salvação e a minha glória; estão em Deus a minha forte rocha e o meu refúgio.
8 Confiai nele, ó povo, em todo tempo; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio.
9 Somente vaidade são os homens plebeus; falsidade, os de fina estirpe; pesados em balança, eles juntos são mais leves que a vaidade.
10 Não confieis naquilo que extorquis, nem vos vanglorieis na rapina; se as vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração.
11 Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus,
12 e a ti, Senhor, pertence a graça, pois a cada um retribuis segundo as suas obras. (Salmo 62).
Agora, para a conversão de uma pessoa a Cristo, é preciso que a mesma seja atraída a Ele pela vontade de Deus Pai, e pelo poder do Espírito Santo. E a forma deste poder se manifestar não pode ser amarrada a nenhum método específico, pois Deus é soberano e o Espírito, como o vento, sopra quando, onde e como quer. O meio geral e comum usado para a conversão é a pregação da Palavra, pois a fé vem pelo ouvir a pregação da mesma, mas Deus pode usar outros meios para tal, como o testemunho de um bom comportamento espiritual, como o caso das esposas que ganham maridos descrentes para Cristo, coforme afirmado pelo apóstolo Pedro no terceiro capítulo de sua primeira epístola. Mas em todos estes e outros casos o fator fundamental é a operação poderosa do Espírito Santo na mente e no coração da pessoa que está sendo convertida ou renovada.
Assim, para que um ímpio seja conduzido para ser transformado em um santo é necessário mais do que a simples apresentação da letra da lei a ele de modo natural, pois não nascerá de novo do Espírito por simples argumentação natural, ou por se esforçar para guardar as obras da lei; é preciso que seja movido pelo poder do Espírito.
1 Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado?
2 Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?
3 Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?
4 Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes? Se, na verdade, foram em vão.
5 Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? (Gálatas 3.1-5).
Quantos que possuíam até mesmo uma mente criminosa foram mudados pelo poder de Cristo, tornando-se verdadeiros santos! E o evangelho, assim apresentado, não perdeu e jamais perderá o seu poder. Quando Deus cria o coração de carne prometido em Ezequiel 36.25; e escreve a sua lei na mente e no coração gerados pelo Espírito Santo, o que foi mudado jamais se afastará dele, pois ainda que venha a desobedecer algum preceito divino, todavia terá uma mente e coração obedientes a Deus, sinceramente desejosos de sempre fazer a sua vontade. Daí ser importante esclarecer aos crentes que nesta nova aliança feita no sangue de Jesus, há a interposição do perdão e purificação de toda forma de injustiça, por meio da confissão, do arrependimento e da fé, pois Jesus tem prometido jamais lançar fora a qualquer que tiver vindo a ele para obter a salvação.
6 Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
7 Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
8 Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
10 Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. I João 1.6-10.
25 Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.
26 Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.
27 Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Ezequiel 36.25-27.
31 Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.
32 Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR.
33 Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
34 Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei. Jeremias 31.31-34.
Tanto no texto de Ezequiel 36 e no de Jeremias 31 é destacada por Deus a criação de um novo coração e de uma nova mente, indicando-se com isto que seu propósito com a Nova Aliança não visava apenas ao conhecimento de Sua pessoa e vontade, mas também de que todo este conhecimento fosse traduzido em afetos espirituais de amor sincero e voluntário a Ele, em toda a obediência e temor piedosos, segundo a operação da Sua graça nestes novos coração e mente dos crentes. Isto se confirma no capítulo seguinte de Jeremias 31 em que Deus declara que com a Nova Aliança eterna conseguiria finalmente que seu povo jamais se apartasse dele.
38 Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
39 Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos.
40 Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. Jeremias 32.38-40.
Não se deve julgar que a manifestação do poder de Jesus para a salvação da alma consiste em demonstrações de curas e sinais miraculosos porque o próprio Senhor Jesus Cristo os operou em abundância e muitos não se converteram, de modo que os tais agravaram ainda mais a sua condenação eterna, pois mesmo à vista de tais sinais miraculosos não se arrependeram de seus pecados, e não atinaram com o propósito da vinda de Jesus a este mundo, que é o da salvação da alma de pecadores.
20 Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:
21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.
22 E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
23 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.
24 Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.
25 Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.
26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.
27 Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Mateus 11.20-27.
3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros
5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.
6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações,
7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;
8 a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,
9 obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. I Pedro 1.3-9.
É por isso que, se a pessoa não nascer de novo do Espírito, ela não pode entrar, permanecer e participar do reino do céu, porque este não é deste mundo, mas nos vem do alto, do Pai das luzes, não com aparência visível natural, pois é eminentemente invisível e espiritual, de modo que receber ainda que da parte de Deus, curas e bênçãos terrenas e naturais, nada acrescenta à possibilidade de salvação eterna, podendo até mesmo agravar os castigos futuros pela falta de arrependimento e conversão a Cristo.
Com isto se compreende as palavras de Jesus que não se põe vinho novo em odres velhos, e nem remendo novo em roupa velha, ou seja, a novidade de vida, a nova criatura, ou seja, esta nova criação espiritual, não pode ser associada ao velho homem, ou velha natureza ou homem natural, pois, a vida eterna que Jesus veio nos dar é sobrenatural e espiritual, e não natural e carnal.
Mas, para a obtenção desta vida eterna é necessário crer em Cristo do modo que convém, ou seja, com arrependimento, fé e submetendo-se totalmente ao seu senhorio, em prova de um verdadeiro amor por ele, guardando os seus mandamentos, pois somente os que permanecem nele e na sua palavra são de fato seus discípulos. Não basta portanto chamá-lo de senhor, de se afirmar que crê nele, que o ama etc, mas que se esteja realmente unido a ele em um só espírito, observando, honrando, guardando toda a sua vontade, e sabendo que a operação da mente espiritual que recebemos na conversão é totalmente dependente dele, pois tanto o nosso querer quanto o realizar são efetuados por Deus e não propriamente por nós. Não temos na mente espiritual algo como um dispositivo eletrônico que ligamos e desligamos quando bem pretendermos. Não. É o Espírito Santo que tudo faz em nós e por nós para um fim proveitoso, de modo que somos inteiramente dependentes da sua santa vontade em tudo o que fazemos ou sofremos. No entanto, a oração, a adoração, o louvor e a meditação na Palavra, em espírito, muito ajudarão a ativar a mente espiritual e assim suplantar a mente e a vontade carnais, bloqueando os pensamentos e desejos impuros e pecaminosos de toda sorte, pois estes não existem na mente espiritual, que sendo da nova criatura, é inteiramente santa, sem qualquer impureza ou outros tipos de pecados. É isto que explica o porque depois que o crente entra na presença de Deus em espírito, toda perturbação, temor e pecados de sua alma vão embora e são substituídos por um sentimento de leveza e pureza que não é de origem da natureza terrena, mas da celestial.
17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.
18 Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons.
19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
20 Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?
23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade. Mateus 7.17-23.
15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos. João 13.15.
23 Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.
24 Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou. João 14.23,24.
4 permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.
5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
6 Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.
7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. João 15.4-7.
14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. João 15.14.
Crer em Cristo, portanto, não consiste apenas em reconhecê-lo como Salvador, mas antes, como Senhor, e nos encontrarmos totalmente debaixo do seu comando e domínio. E para tanto é preciso receber de Deus o dom da fé salvadora que nos torna submissos ao Senhor com um coração e mente voluntários. O que não contém isto não é a fé salvadora, mas a fé morta que no dizer de Tiago, para nada aproveita.
A pessoa que viverá para sempre em união com Deus não é aquela que teve apenas vida natural neste mundo, mas a que recebeu uma nova natureza celestial e espiritual, pois sendo espírito, Deus só pode ser adorado e servido em espírito, e daí a necessidade de sermos tornados espirituais, conforme Ele planejou antes mesmo da criação do mundo, para que vivêssemos e andássemos diante dele, em amor, alcançando, à medida que o tempo passa, graus cada vez maiores da semelhança que devemos ter com Jesus Cristo.
“3 Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal;” (Gên 3a).
A razão que levou Deus a julgar o mundo inteiro nos dias de Noé com o dilúvio, é a mesma que o levará a julgá-lo por ocasião da volta de Jesus, a saber, que tendo sido criado para ser espiritual, o homem resiste a isto, e vive como carnal e mundano.
É a vida espiritual, em comunhão contínua com Deus, que deve ser priorizada por nós, e não a natural, que está destinada a desaparecer na consumação do século. Esta vida natural é apenas um veículo, para que o homem chegue à vida espiritual e celestial. É por esta vida natural, que se permite ao homem, como ser moral, a continuar existindo no mundo, apesar de se encontrar morto em delitos e pecados, até que seja resgatado desta condição pela libertação que há em Jesus, para que possa ser reconciliado com Deus.
Mesmo tendo Deus recomeçado o repovoamento da Terra através de Noé e sua família, nós temos o testemunho das Escrituras que uma grande parte da humanidade tornou a viver de modo inteiramente carnal, resistindo ao Espírito Santo, e isto vemos principalmente no episódio da construção da torre de Babel, e na idolatria que se espalhou por todas as partes do mundo antigo, e o próprio Abraão vivia em um país idólatra, em Ur dos caldeus, de modo que através dele Deus formaria uma nova nação (a de Israel) para se revelar através da mesma. Mas por cerca de 1.400 anos, que foi o tempo de duração da Antiga Aliança, ou Dispensação da Lei, em que vigorava ainda o Pacto das Obras feito com Adão, em que se exigia dos professantes que fossem exatos no cumprimento de toda a Lei para terem a aceitação de Deus, e ficou comprovado que sem a renovação espiritual realizada pelo Espírito Santo, com o perdão dos pecados e esquecimento das transgressões dos aliançados nesta Nova Aliança instituída por e em Cristo, não seria jamais possível que Deus tivesse um povo que o amasse e obedecesse a toda a Sua vontade, e que estaria sendo purificado em graus até o estágio final da perfeição na glorificação celestial. Israel sempre andou de modo contrário a Deus e por isso foi sujeitado às maldições e castigos previstos na Antiga Aliança, sendo sujeitado a servir a várias nações idólatras; a serem levados cativos pela Assíria e Babilônia, e por muitas outras formas de juízo divino que os conduziu à pior forma de castigo que consiste na condenação eterna, pelo impedimento de se entrar no descanso eterno de Deus.
Então temos a prova prática e cabal de que o simples conhecimento da Lei de Moisés não pode salvar a alma de qualquer pessoa, nem do próprio judeu. A Lei não foi dada para o propósito de nos salvar da condenação eterna; ao contrário, ela nos condena por não cumprirmos perfeitamente todos os seus mandamentos durante todo o nosso tempo de existência terrena. Para ser salvo e habitar eternamente com Deus é preciso estar santificado, disto decorre que necessitamos nascer de novo do Espírito Santo, para obter dele uma nova natureza, um novo coração, uma mente renovada espiritual. Mas, antes disso, precisávamos ser justificados do pecado e de toda a culpa que é dele decorrente, e para tanto, necessitamos do sacrifício e de toda a obra de Jesus Cristo, por cuja morte na cruz, fomos libertados, pela identificação com Ele em sua morte, somos perdoados da culpa do pecado, e pelo sangue que Ele derramou na cruz, somos purificados continuamente de nossos pecados, para que não sejamos dominados por eles, de maneira que, pela santificação sejamos conduzidos até a glorificação final no porvir.
De modo que todo aquele que resiste a Cristo é entregue por Deus a si mesmo, porque tendo amado a mentira e rejeitado a verdade, não terá o trabalho do Espírito Santo em sua vida, seja o de restringir a prática do pecado, e muito menos o de regeneração , renovação, e santificação.
28 E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, Rom 1.28.
7 Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém;
8 então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda.
9 Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira,
10 e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos.
11 É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira,
12 a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. (II Tes 2.7-12).
A diminuição da restrição do pecado pelo Espírito Santo, como a que temos observado em todo o mundo em nossos dias, é a principal causa da multiplicação da iniquidade a que se referiu nosso Senhor Jesus Cristo, a qual esfriaria o amor de muitos e precipitaria a Sua volta para julgar a Terra em uma grande dissolução, com maior intensidade do que a havida com o dilúvio nos dias de Noé, a qual a propósito foi também devida à multiplicação da iniquidade em toda a Terra, e cuja causa principal foi a retirada da restrição do pecado pelo Espírito Santo por 120 anos seguidos, conforme testificam as Escrituras. Daí Jesus ter dito que a Sua volta se daria conforme havia sido nos dias de Noé.
SOMENTE A GRAÇA de Jesus é o poder superior ao do pecado, e que pode vencê-lo. Por conseguinte não é difícil entender que somente mantendo comunhão com o Senhor, no Espírito, é possível se obter a vitória sobre o pecado, e não somente isto, mas a obtenção de uma mente espiritual renovada que sobrepuja e vence a mente carnal. Mais do que a simples lei natural que foi inscrita por Deus no coração de toda pessoa, necessitamos da lei do Espírito e de vida, que passa a ser a lei na nossa mente, à qual Paulo se refere em Rom 7.23, e contra a qual guerreia a lei do pecado.
25 Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado. Rom 7.25.
A carne sempre é sujeita à lei do pecado, e por isso o crente deve se despojar de um viver carnal, pelo Espírito Santo, para que não seja escravizado pelo pecado, quando anda segundo a carne. Mas, ainda que seja vencido em algumas batalhas em que o Espírito luta contra a carne, e esta contra o Espírito, se somos servos de Deus de fato, e se temos uma mente renovada que se inclina para a Sua santa vontade, podemos alcançar a vitória sobre a disposição carnal e o pecado, por meio da fé em Cristo, confessando e abandonando o pecado e a nossa fraqueza, trocando-os pela santificação e poder do Espírito. Louvado seja Deus por sua infinita misericórdia e graça que nos concedeu em Jesus Cristo.
16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.
17 Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.
18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.
19 Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,
20 idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,
21 invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.
22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
24 E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências.
25 Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. (Gálatas 5.16-25).
Ao lermos este texto de Gál 5.16-25 ficamos com a sensação de que sempre haverá algo a mais para se comentar a respeito dele, pois onde lemos da luta mútua entre a carne e o Espírito, poderíamos ler luta entre a mente carnal e a mente espiritual, pois a mente carnal é operada pelo homem natural, e a mente espiritual pelo Espírito Santo. E esta é a grande pedra de toque pela qual devemos medir a paz de Cristo sendo dada a nós em todas as circunstâncias, pois a partir do momento em que recebemos a mente espiritual na conversão, abre-se uma frente de batalhas que durarão até o dia da nossa morte, quando deixaremos este mundo, pois até então, não havia em nós algo que pudesse levantar a oposição tanto da nossa própria carne, quanto do diabo e do mundo, de maneira que todos passaram a agir como nossos inimigos ferrenhos, pois a carne, o diabo e o mundo sempre se oporão e perseguirão todo aquele que for espiritual. Foi por este motivo que Jesus alertou seus discípulos que por causa dele eles seriam odiados de todas as nações, e assim como o mundo o havia odiado, também os odiaria. Então, qual seria o proveito prático de estarmos aprendendo todas estas coisas? Somente o conhecimento destas verdades é suficiente para garantir que tenhamos a paz de Cristo em todas as circunstâncias? A resposta é não. Necessitamos conhecer nossos inimigos para que possamos nos sujeitar a Deus, orando e clamando a ele para que nos livre do mal, e que nos faça caminhar segundo a Sua vontade, com um coração sossegado, não turbado, perdoador, manso e tranquilo, em meio às maiores provocações e injúrias que possamos sofrer da parte de todos os inimigos que se levantam contra nós. Conhecer o inimigo é importante para que não fiquemos perdidos sem saber a quem devemos realmente combater com paciência, fé em Cristo e oração; ou então desanimados dando a batalha como já perdida; pois nossa luta não é contra o homem natural, mas contra principados e potestades do mal, que podem ser vencidos somente pelo poder do Senhor.
Os caminhos e os pensamentos de Deus são mais elevados e profundos do que os caminhos e pensamentos da mente natural humana. Por isso devemos apenas confiar inteiramente nele e nas boas promessas e palavras que nos revelou nas Escrituras, que se baseiam na aliança que fez em nosso favor com seu Filho Unigênito, para que posamos ser tornados seus filhos e ter o poder de andarmos dignamente em Sua presença, pois tudo quanto ele exige de nós ele mesmo nos capacita a realizar pelo poder, instrução e direção do Espírito Santo.
27 E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. Rom 8.27.
33 Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!
34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Rom 11.33,34.
Tudo o que temos aprendido até aqui sobre este assunto da mente natural e mente espiritual nos remete ao ensino de Jesus relativo à resposta à seguinte pergunta: Por que Jesus disse que quem não odiar a própria vida morrerá eternamente?
“Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.” (João 12.25)
O significado destas palavras de Jesus é o seguinte: Há uma contraposição entre a vida natural neste mundo e a vida eterna sobrenatural e espiritual que somente pode ser achada em Cristo.
O amor por nossa vida que se encontra decaída no pecado (pois é esta a condição da natureza terrena humana) é o impedimento que nos leva a rejeitar a mortificação desta natureza decaída, para que possamos receber e manter a nova natureza que é concedida pelo Espírito Santo aos que negam a si mesmos, carregam a sua cruz e que seguem a Jesus buscando a santificação dessa nova vida, pelo despojamento da antiga, que é chamada na Palavra por o velho homem.
O que está em foco não é o ódio à nossa própria pessoa, porque o mandamento de Deus é que nos amemos assim como o nosso próximo. Então o ódio a que Jesus se refere é a repulsa que devemos ter ao pecado que habita na velha natureza, e do qual devemos nos despojar pela sua mortificação, para que possamos viver e andar na santidade do Espírito Santo. É o modo de se viver pela energia da alma não regenerada e não santificada que devemos não apenas odiar, mas também nos despojarmos da mesma para acharmos e vivermos na vida sobrenatural, espiritual, santa e celestial que existe na nova natureza que rebemos por meio da fé em Jesus.
“24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
25 Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.
26 Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mateus 16.24-26)
“Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.” (Rom 8.13).
Além destas passagens há outras citações bíblicas que apontam para esta necessidade de a tudo renunciar para podermos ser de fato discípulos de Jesus, como por exemplo a de Lucas 14.26,27 em que ele estende a atitude de aborrecer até mesmo as pessoas que nos são mais queridas e próximas em nossa família nuclear, quando em vez de atendermos à vontade delas que seja contrária à de Deus, escolhamos fazer a vontade do Senhor, ainda que sob a contrariedade das mesmas. Isto não significa deixar de amá-las, assim como o odiarmos a nossa própria vida não significa deixar de amarmos a nós mesmos, mas a contrariarmos a inclinação natural da nossa carne, em agradar seja a nós ou a outros, quando isto representa desagradar a Deus, cuja vontade deve ser amada e obedecida acima de tudo e de todos. Em todo o caso, na extensão deste assunto na passagem de Lucas 14.26,27, temos mais um exemplo da mortificação do velho homem, pois ter que aborrecer a entes amados, é também uma forma de se mortificar a nossa velha natureza.
“26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14.26,27)
A mente espiritual é abastecida principalmente pelo ouvido e visão espirituais, de maneira que somente aqueles que andam no Espírito estão capacitados a ouvir as coisas que o Espírito Santo está falando à Igreja para que sejam obedecidas e praticadas por eles, bem como a abertura da visão e inteligência espirituais que capacitam o crente a discernir todas as coisas, tanto as relativas ao bem quanto ao mal. Daí a repetição feita por Jesus nas cartas dirigidas às sete igrejas nos segundo e terceiro capítulos de Apocalipse, advertindo que poderiam ser atendidas somente por aqueles que tivessem ouvidos para ouvir as coisas que o Espírito Santo estava dizendo. Quem não é do Senhor, e que por conseguinte, não possui o Espírito, não pode ouvir as coisas que são espirituais, celestiais e divinas, que, como já vimos antes em I Cor 2 somente podem ser discernidas espiritualmente, no Espírito.
5 Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve.
6 Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro. I João 4.5,6.
42 Replicou-lhes Jesus: Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.
43 Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra.
44 Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
45 Mas, porque eu digo a verdade, não me credes.
46 Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?
47 Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus. João 8.42.47.
12 Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.
13 Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança.
14 Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. Hebreus 5.12-14.
5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Rom 14.5
Nesta última passagem, o que está sendo abordado é o assunto de os crentes terem uma opinião bem definida em suas mentes, quanto às suas preferências comuns e naturais (como por exemplo o que comer, vestir etc) sem julgarem e reprovarem as preferências de outras pessoas. Evidentemente, estas preferências não devem ser contrárias à vontade de Deus, a qual é absoluta e deve ser cumprida à risca por todos. Não se trata portanto de que cada um pode escolher o tipo de doutrina segundo a sua própria vontade; pois a sã doutrina é absoluta e deve estar conformada às sãs palavras de Jesus Cristo e do ensino do Espírito Santo através de seus apóstolos nas Escrituras.
10 Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. I Cor 1.10
Pelo que foi tratado na passagem anterior, podemos entender que o mandamento desta de I Cor 1.10 refere-se sobretudo à sã doutrina e à forma de se conduzir na comunhão dos santos, e não propriamente que todos os crentes devem ter o mesmo pensamento em relação a todas as coisas, o que seria até mesmo impossível.
16 Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo. I Cor 2.16;
Não podemos conhecer todo o conselho da vontade de Deus e o fundamento de todos os seus decretos, mas podemos discernir qual seja a sua vontade para a nossa vida e conduta, por termos a mesma mente de Cristo pela qual podemos discernir tudo o que foi revelado para o nosso crescimento espiritual na verdade e no amor de Deus.
14 Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera.
15 Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. I Cor 14.14,15
A referência à mente nesta passagem de I Cor 14.14,15 é ao entendimento consciente de nossa faculdade racional, em contraposição à manifestação do dom espiritual sobrenatural de falar em línguas, que não pode ser interpretado pela mente racional, de modo que ambos devem ser exercidos no ajuntamento dos santos com sabedoria e ordem, de maneira que não se ore e louve apenas em línguas que não podem ser compreendidas, mas que também sejam usadas palavras que possam ser entendidas por todos.
Ao falar em outras línguas, a própria pessoa que fala, não entende o que está falando, a não ser que haja alguém para interpretá-lo; mas como fala em Espírito, edifica-se apenas a si mesmo, e não a outros, de maneira que o apóstolo não recomenda o uso de outras línguas espirituais no ajuntamento dos santos, colocando sua importância, atrás, por exemplo dos demais dons, sobretudo do de profetizar, com o qual toda a igreja pode ser exortada, consolada e edificada. Todavia, não se deve proibir o falar em outras línguas na igreja, mas tudo deve ser feito com ordem e decência.
Os dons extraordinários espirituais, listados em I Cor 12 e 14, são operações sobrenaturais do Espírito Santo que podem ser estendidas a todas as pessoas, conforme ele quiser, e até mesmo a um animal como foi o caso da mula de Balaão, que falou para repreendê-lo em sua loucura. Judas, que era um filho da perdição, sequer não convertido, portanto, deve ter usado algum dom sobrenatural quando foi enviado por Jesus para curar enfermos. Saul profetizou. A Igreja de Corinto abundava em todos os dons sobrenaturais, e no entanto é a única igreja a que Paulo chama de carnal, composta de muitos membros que não eram crentes espirituais; e não é para ficarmos admirados de que foi justamente a esta igreja que Paulo dirigiu as instruções e exortações na primeira epístola que lhes escreveu, para lhes esclarecer que deveriam se esforçar para obter uma mente espiritual renovada, porque é somente nesta que o fruto do Espírito Santo é produzido para a transformação do crente, por estar sob o trabalho da graça em sua mente e coração, produzindo sobretudo o amor, a que o apóstolo chama de caminho sobremodo excelente, ou seja, o que é mais importante do que tudo, e pelo qual somos habilitados a ter pensamentos e ações que são segundo o coração do próprio Cristo, em paciência, benignidade, misericórdia, paz, etc., em todas as circunstâncias.
1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
2 Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.
3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
4 O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,
5 não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
6 não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará;
9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.
10 Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.
12 Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor. (I Cor 13.1-13).
E Paulo conclui esta passagem de I Cor 13, afirmando o seguinte logo a partir do primeiro versículo do capítulo 14:
1 Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.
2 Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.
3 Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.
4 O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. (I Cor 14.1-4).
O que ele quis dizer: busquem os dons espirituais, sobretudo o de profetizar, mas sigam o amor, ou seja, priorizem a transformação da mente de vocês, renovem-na diariamente, andando no Espírito Santo, para viverem e andarem no amor de Deus, e de uns para com os outros.
O amor divino trabalhado pelo Espírito Santo em nossa mente e coração depende de que haja comunhão espiritual com Deus e coparticipação da natureza divina em santidade; já os dons espirituais sobrenaturais não o demandam, e é isto que explica que é possível que crentes carnais como os de Corinto, até mesmo profetizem, falem em outras línguas etc, sem que tenham qualquer comunhão real com Deus, por falta de um viver na justiça, no amor e na verdade.
Mas o que tem a ver a mente espiritual com tudo isto? Qual a sua importância e necessidade? Como Paulo chegou à conclusão de que a igreja de Corinto era carnal? Ele havia sido informado por pessoas da família de Cloé que estava havendo muitas divisões entre eles, e que partidos estavam se formando para combaterem mutuamente. Isto já era um sinal bastante evidente de carnalidade, mas havia muitas outras coisas que o indicavam.
Então, indo direto ao ponto, principalmente pelo exame do que é dito no capítulo 13 que acabamos de ler. Veja que se destaca que o amor é paciente e benigno, que não se ufana, que não se ressente do mal, que é longânimo, que tudo crê, espera, sofre e suporta, dentre outras características, que apontam que tudo o mais é de nenhum valor sem isto.
Podemos ver então que a mente espiritual não é algo como um estado de êxtase, ou de se ter muito conhecimento etc, mas a obtenção e criação de um hábito de não se ressentir; não se irritar facilmente; de completa paciência com injúrias sofridas, sem injuriar de volta; de bondade e tolerância para com os fracos; de humildade diante de Deus e dos homens; e tudo isto e muito mais só pode ser adquirido por um longo caminhar com Deus exercitando-se em justiça, verdade e santidade. O amor é dependente de uma fé genuína, de uma boa consciência e de um coração puro. Se faltarem estes ingredientes, não haverá o amor de Deus atuando no nosso coração.
E é pelo desconhecimento disto e de um viver segundo a piedade, que o apóstolo temia que os crentes coríntios fossem enganados por Satanás, corrompendo a mente dos mesmos para que pensassem que por abundarem em dons espirituais, eram de fato agradáveis a Deus por serem espirituais, quando na verdade não o eram, pois não é possível agradar a Deus vivendo aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo, em amor.
3 Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 2 Cor 11.3.
A mente a que Paulo se refere neste texto é a mente natural do crente, que pode ser corrompida por Satanás, que se transfigura até mesmo em anjo de luz, com o propósito de enganar os crentes. Já vimos anteriormente que a própria lei do pecado guerreia contra a mente do crente, levando-o a fazer aquilo que não aprova, e impedindo-o de fazer o que aprova. Por isso o apóstolo diz que já não é ele que escolhe o pecado, mas é empurrado para o mesmo pela lei do pecado que guerreia constantemente contra a sua mente. A mente espiritual recebida do alto deve portanto ser amadurecida, aperfeiçoada, crescendo em graus, para poder se fortalecer contra a lei do pecado e às investidas do diabo e do mundo. E isto pode ser feito somente pela lei do Espírito e da vida em Jesus Cristo. Como os crentes coríntios não tinham suas faculdades exercitadas para discernirem tanto o bem quanto o mal, pois eram bebês em Cristo, andando segundo o homem e não segundo Deus, daí então a preocupação do apóstolo em relação a eles quanto à possibilidade de serem enganados por Satanás.
17 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, Ef 4.17.
A palavra para pensamentos neste texto, no original grego é também nous = mente, indicando portanto, que os pensamentos vãos dos que não conhecem a Deus (gentios) é decorrente do fato de não possuírem uma mente renovada pelo Espírito Santo; de maneira que não convém aos santos se comportarem tal como os gentios, para que não se afastem com isto, da comunhão com Deus.
22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano,
23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento,
24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Ef 4.22-24.
Como na passagem anterior de Ef 4.17, a palavra no original grego nous (mente) é vertida no verso 23 para “entendimento”, e assim teríamos espírito da vossa mente; indicando a necessidade que todo crente tem de renovar a sua mente pela operação do Espírito Santo com o seu próprio espírito, porque isso é absolutamente essencial para que possamos nos revestir do novo homem, ou seja, da nova criatura que somos em Cristo Jesus, segundo o novo nascimento recebido do Espírito Santo em justiça e retidão procedentes da verdade.
É pelo poder de Jesus e operação do Espírito Santo que é aberto o nosso entendimento espiritual para compreendermos o significado das Escrituras, tal como Jesus fez com os apóstolos logo antes de ter ascendido ao céu depois de sua ressurreição:
45 Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;
46 e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia
47 e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.
48 Vós sois testemunhas destas coisas.
49 Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.
50 Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou.
51 Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu.
52 Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo;
53 e estavam sempre no templo, louvando a Deus. (Lucas 24.45-52).
7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Fp 4.7.
Não é o coração e a mente – entendimento - natural que serão guardados pela paz de Deus, mas o novo coração, o coração de carne prometido no lugar do de pedra, e a mente renovada pelo Espírito Santo na qual foi inscrita a lei do evangelho, caso o crente ande em obediência ao Senhor. A paz sobrenatural de Jesus excede a capacidade do entendimento natural, e pode ser discernida somente pela mente espiritual.
Foi para o crescimento do entendimento espiritual que Paulo orou em favor dos crentes colossenses:
9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;
10 a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;
11 sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria,
12 dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. Colossenses 1.9-12.
1 Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face;
2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo,
3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. Colossenses 2.1-3.
Agora, evidentemente, quando tudo vai bem com a mente espiritual renovada, não somente a mente natural, mas todo o corpo físico natural do crente, também são beneficiados, para que estejam sujeitados à paz e tranquilidade que é transmitida a ambos pelo espírito assim controlado pelo poder de Deus. De modo que em vez de ser vencido por estados de ansiedade, depressão, e dos demais males decorrentes de distúrbios do sistema nervoso central; os quais são produzidos geralmente por pressões internas e externas de situações problemáticas; o crente poderá até mesmo se gloriar nas próprias tribulações, sabendo que estas produzem paciência, e esta experiência, que por sua vez produz esperança.
Um espírito fortalecido por uma mente renovada, sustentará tudo o mais, e nos capacitará a ter a experiência do apóstolo conforme suas palavras em II Cor 12.7-10:
7 E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.
8 Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.
9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.
10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.
2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,
3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.
4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.Tiago 1.2-4.
12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Tiago 1.12.
A mente natural e carnal não pode entender e aceitar o propósito de Deus nas tribulações e provações de Seu próprio povo, e muito menos as aceitaria em si mesma. Mas a mente espiritual renovada não somente pode discernir tal propósito como se submeter ao mesmo com paciência, gratidão e louvor, por saber que tudo o que Deus permite que nos suceda, quando tudo fazemos por amor a Cristo, coopera para o nosso bem e aperfeiçoamento espiritual.
18 Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso Senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso;
19 porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus.
20 Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.
21 Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos,
22 o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca;
23 pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente,
24 carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. I Pedro 2.18-24.
12 Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo;
13 pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.
14 Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus.
15 Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem;
16 mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.
17 Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? I Pedro 4.12-17.
O juízo de Deus começa por sua própria casa, ou seja, por seu povo, e terminará com os ímpios, sendo que o dos crentes é para correção para serem coparticipantes de Sua santidade, mas o dos ímpios é para a perdição eterna. De modo que os ímpios de modo geral, não são provados por Deus neste mundo com tribulações corretivas, as quais, a propósito não teriam qualquer efeito com ímpios réprobos, e assim não corrige a bastados, mas somente aos que ama e são seus filhos. O réprobo não terá necessariamente um inferno neste mundo, porque irá para lá inapelavelmente depois de sua morte. Mas o que se arrepende e crê em Cristo já não está sob qualquer condenação, apesar de todas as aflições e tribulações que possa experimentar aqui deste outro lado do céu.
Daí a certeza do apóstolo da completa vitória que o crente tem em Cristo:
14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.
16 O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.
18 Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
19 A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.
20 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou,
21 na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
22 Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.
23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.
24 Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?
25 Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.
26 Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.
27 E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.
28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.
31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?
33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.
34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.
35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?
36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.
37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.
38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,
39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 8.14-39).
É com base nisto que foi dito pelo apóstolo que se fundamenta a alegria cristã, não naquilo que muitos pensam erroneamente que ela possui um caráter eminentemente voltado para as coisas deste mundo, e a confundem com prosperidade material, saúde perfeita, tranquilidade total no viver etc. Este pensamento era completamente estranho aos crentes da Igreja Primitiva, que a propósito estavam cheios de perseguições e muitos sendo conduzidos ao martírio. Crentes piedosos são os que mais experimentam os ataques da carne, do diabo e do mundo, e assim, a alegria deles não pode consistir naqueles arroubos de exultações que é muito característico principalmente nos que são jovens carnais, cheios de vigor e saúde em sua vida natural, que os dispõe a festejos e busca de prazeres neste mundo, e é somente nisto que consiste a alegria deles. Mas quando chegam à velhice, se lhes for permitido por Deus, muitos se desencantam totalmente e percebem que já não podem ter os mesmos prazeres dos dias da juventude, e concordam com Salomão dizendo que são maus dias nos quais não têm qualquer prazer. Eles começam a perceber que para o seu corpo senil tudo é enfado e canseira. E esta condição natural alcança os próprios crentes, mas eles têm a grande vantagem de saber desde os dias da sua juventude que no mundo têm muitas aflições, muitas tribulações, mas podem pelo poder de Cristo serem livrados de todas elas, e terem seu coração mantido em paz e alegre, no Espírito, apesar dos seus muitos sofrimentos, frustrações e dores que possam experimentar deste outro lado do céu.
18 Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, Col 2.18.
A mente carnal é atuante sem que haja necessidade de qualquer esforço de nossa parte para tal; mas a mente renovada espiritual depende de ser adquirida mediante muito esforço e diligência cada vez maior em acrescentar graça sobre graça em nossa caminhada cristã, pela oração, meditação na Palavra, comunhão dos santos etc.
Agora, nas três passagens bíblicas que destacamos a seguir, é enfocado pelo apóstolo Paulo nas epístolas pastorais dirigidas a Timóteo e a Tito, o cuidado que deveriam ter para manter a verdade, o amor e a sã doutrina entre os crentes, por se contraporem ao ensino dos falsos mestres nas igrejas de Éfeso e Creta, os quais eram homens de mente corrompida e pervertida, ou seja, que não eram dirigidos pelo Espírito Santo, que desconheciam a vontade e a Palavra de Deus, e que com isto estavam pervertendo a fé dos crentes daquelas igrejas. De uma fonte ruim não podem fluir águas saudáveis. Aqueles homens eram como fontes que na verdade, nem água possuíam, pois suas mentes não haviam sido trabalhadas e renovadas pelo poder do Espírito Santo, pois eram réprobos quanto à fé. Este cuidado deve ser mantido em todas as gerações da Igreja de Cristo, pois a Reforma que consiste na vigilância e esforço para trazer a verdade do evangelho sempre à sua forma original, conforme fundamentado na pessoa de Jesus e nos apóstolos, nas Escrituras, é algo que deve estar sempre sendo realizado para que o castiçal da igreja não seja removido pelo Senhor.
5 altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. I Tim 6.5.
8 E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; 2 Tim 3.8.
15 Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. Tito 1.15.
Concluindo o nosso breve estudo sobre a mente, devemos destacar que nosso Senhor Jesus Cristo disse que aquele que nele cresse, do seu interior fluiriam rios de água viva, referindo-se à multiplicidade de pensamentos e operações espirituais, celestiais e divinas que fluiriam daqueles que tivessem a habitação do Espírito Santo e que andassem nele, pois seria como uma fonte inesgotável da qual procederiam tais pensamentos e operações espontâneas nos crentes espirituais, e somente nestes, pois nos carnais, os canais pelos quais os mesmos fluem ficam obstruídos. Assim, como a mente natural produz espontaneamente pensamentos vãos e naturais nos quais nenhuma glória é conduzida a Deus, de igual modo na mente espiritual também são produzidos pensamentos espontâneos, só que estes são proveitosos e trazem muita glória a Deus. Sendo portanto tais pensamentos espontâneos a melhor evidência e medida para sabermos se somos de fato espirituais e não carnais.
E numa consideração final devemos saber que a mente natural não seguirá o espírito quando este voltar para Deus no dia da morte, mas somente a mente espiritual que foi recebida do alto no novo nascimento do crente. E por isso, não é sem razão que somos exortados na Palavra a dar toda a diligência, cada vez maior para a confirmação de nossa vocação e eleição, por um crescimento na graça e no conhecimento de Jesus, pela contínua e crescente renovação desta mente espiritual.
31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?
32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;
33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6.31-33).
Nesta passagem Jesus mostra claramente que ele não deve ser buscado com o mero propósito de se ser curado ou contemplado com provisões materiais, o que a propósito é o alvo de muitos que se associam à Igreja, pois a sua missão não é a de somente prover nossas necessidades naturais e materiais, que em sendo atendidas, sem que nos convertamos a ele, sendo transformados em novas criaturas, nada disso nos aproveitará, e poderemos ser achados na mesma condição daquele homem que multiplicou celeiros e que por fim veio a perder a sua alma.
14 Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai,
15 de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra,
16 para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior;
17 e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor,
18 a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade
19 e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. (Efésios 3.14-19).
Ainda, em uma palavra de conforto para aqueles que estão enfrentando problemas com sua mente natural, como por exemplo transtornos e demências, com perda de memória: mesmo que a luz natural do entendimento se apague totalmente, a luz espiritual da compreensão das coisas relativas ao reino de Deus, jamais se apagará, e até mesmo poderá aumentar com a remoção da mente natural. Isto é o que explica que aqueles que estão em estado avançado de alzheimer, apesar até de esquecerem até mesmo quem são, ainda retêm na mente espiritual renovada uma clara lembrança de trechos da Palavra de Deus, de cânticos espirituais, e permanecem mantendo comunhão com Deus em espírito. Acrescente-se também que aqueles que tiveram perda total de visão ou audição naturais, e se tornam deficientes para ver, ler e ouvir, podem também não somente manter mas até mesmo aumentar a sua visão e audição das coisas espirituais e divinas que são operadas neles pelo Espírito Santo, em sua mente espiritual que não pode ser extinta, uma vez tendo sido recebida de Cristo em sua conversão a Ele. Bendito e louvado seja para sempre o grande nome do Senhor!
“Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. A ele seja o domínio, pelos séculos dos séculos. Amém!” (I Pedro 5.10,11).